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OS SEGREDOS DA FELICIDADE

Há pessoas felizes. Pesquisadores do Instituto Nacional sobre Envelhecimento descobriram que o bem-estar é fortemente influenciado pelas características duradouras do indivíduo. Em um estudo de 10 anos, eles constataram que, independentemente do estado civil, emprego ou se a residência havia mudado, pessoas com uma disposição para serem felizes em 1973 ainda estavam felizes em 1983. Há boas notícias nestes resultados: Dada a disposição certa, em face à dificuldade, as pessoas ainda podem encontrar felicidade.

O que é uma disposição para ser feliz? Quem são essas pessoas que permanecem basicamente sempre animadas apesar dos baixos da vida? Há quatro características importantes dessas pessoas felizes:

 

I: Auto-estima: Pessoas felizes gostam de si mesmas

Durante a década de 80, nenhum tópico em psicologia foi mais pesquisado do que o self. Muitos relatórios mostraram os resultados de uma boa autoestima – alguns estudos da Universidade de Michigan sobre bem-estar na América, constataram que o melhor preditor de satisfação global com a vida não era a satisfação com a vida familiar, amizades, ou a renda, mas a satisfação com o seu próprio ego. Pessoas que gostam e aceitam a si mesmas tendem a sentir-se bem com a vida em geral.

Isto não será nenhuma surpresa para qualquer um que esteja em sintonia com a psicologia popular do nosso tempo. Livros de autoajuda nos estimulam a nos respeitar, a nos debruçar sobre o nosso lado bom, a sermos positivos. Parar com a auto piedade. Parar com papos negativos. Para descobrir o amor, amar, primeiro, a si mesmo.

Na verdade, a maioria de nós têm uma boa reputação com nós mesmos. Em estudos de autoestima, mesmo pessoas com baixa pontuação dão respostas de média pontuação (mesmo pessoas com "baixa" autoestima respondem a declarações como "Eu tenho boas ideias" com adjetivos qualificativos como "um pouco" ou "às vezes".)

Além disso, uma das mais provocativas e ainda assim firmemente estabelecidas conclusões da psicologia social diz respeito à importância da “tendenciosidade autosservidora”. As pessoas aceitam mais responsabilidade pelas boas ações do que pelas más, para sucessos do que para os fracassos. A interrogação "O que eu fiz para merecer isso?" é uma que perguntamos diante de nossos problemas, e não dos nossos sucessos – aqueles assumimos que merecemos.

Em quase qualquer dimensão subjetiva ou socialmente desejável, a maioria das pessoas realmente se vê como melhor que a média. Também lembramos e justificamos nossas ações passadas de forma a nos autoengrandecer, somos rápidos em acreditar em descrições mais lisonjeiras de nós mesmos do que nas mais negativas, e superestimamos o grau em que os outros apoiam nossas opiniões e partilham das nossas fraquezas. Para a maioria de nós, essas "ilusões positivas" nos protegem contra ansiedade e depressão. Todos nós em algum momento nos sentimos inferiores, especialmente quando nos comparamos com aqueles que estão um passo ou dois a nossa frente, seja em status, aparência ou renda. Quanto mais profunda e frequentemente temos tais sentimentos, mais infelizes somos. Sendo assim, nós funcionamos melhor com ilusões de autoengrandecimento mais modestas.

Uma autoestima saudável, então, é tanto positiva quanto realista. Porque se baseia na realização genuína de ideais realistas, e em se sentir aceito pelo o que é. Tal autoestima fornece uma base sólida para uma alegria duradoura.

 

II: Otimismo: As pessoas felizes são cheias de esperança

Aquelas pessoas que concordam que "com fé suficiente, você pode fazer quase qualquer coisa" e que "quando eu realizo algo novo, espero ter sucesso" podem ser umas “bobas alegre”. Mas, por verem o copo da vida como meio cheio em vez de meio vazio, elas geralmente são mais felizes.

Os otimistas também são mais saudáveis. Vários estudos demonstram que um estilo pessimista de explicar acontecimentos ruins – dizendo: " A culpa é minha e vou estragar tudo" – deixa as pessoas mais vulneráveis ​​a doenças. Alunos de Harvard que eram mais pessimistas quando entrevistados em 1946 eram menos saudáveis ​​quando reestudados em 1980. Estudantes da Virginia Tech, que reagiram a maus acontecimentos de forma mais pessimista sofreram com mais resfriados, dores de garganta e gripes, um ano depois. Em geral, as pessoas otimistas sofrem menos com várias doenças e se recuperam melhor de câncer e cirurgias.

Otimistas também desfrutam de mais sucesso. Ao invés de ver contratempos como sinais de sua incompetência, eles veem como pequenos lapsos ou como uma sugestão da necessidade de uma nova abordagem. Uma pessoa que enfrenta a vida com uma atitude que sempre diz "Sim!" para as pessoas e as possibilidades vive uma vida muito mais alegre e aventureira do que os pessimistas habituais.

No entanto, já afirmada a grande verdade sobre o otimismo, vamos lembrar também uma verdade complementar sobre os perigos do irrealismo. Otimistas irrealistas podem deixar de tomar precauções sensatas e de considerar a vergonha e tristeza que acompanha expectativas não correspondidas. Se você acredita nas mensagens inspiradoras de pensadores positivos, então de quem é a culpa quando você não consegue alcançar o máximo do máximo? O que podemos concluir quando nossos casamentos acabam sendo menos do que aquilo que romantizamos, quando somos menos bem-sucedidos do que sonhamos?

Nesses momentos, temos apenas a nós mesmos para culpar. Quando o sonho desaba, os maiores sonhadores são aqueles que caem mais alto. Otimismo sem limites gera frustrações sem fim.

A receita para o bem-estar, então, não exige nem pensamento positivo nem negativo por si só, mas uma mistura de um grande otimismo que provém esperança, uma pitada de pessimismo para evitar a complacência, e realismo suficiente para discriminar as coisas que podemos controlar daquelas que não podemos.

 

III: Extroversão: As pessoas felizes são sociáveis

Estudo após estudo reportam que extrovertidos-sociais são mais felizes e tem maior satisfação com a vida. A explicação parece, em parte, ter a ver com o temperamento. "Os extrovertidos são simplesmente mais alegres e mais alto astral", relatam os pesquisadores do Instituto Nacional de Envelhecimento Paul Costa e Robert McCrae. Pessoas autoconfiantes que entram em uma sala cheia de estranhos e calorosamente se apresentam têm mais chances de aceitar a si mesmos. Por gostar de si mesmos, elas têm maior confiança de que os outros vão gostar dela também.

Tais atitudes tendem também a ser autorrealizáveis, fazendo com que extrovertidos experimentem eventos mais positivos. Quando os pesquisadores da Universidade de Illinois Ed Diener e Keith Magnus estudaram estudantes universitários e depois novamente quatro anos mais tarde, como formados, eles descobriram que a vida tinha tratado os extrovertidos mais gentilmente. Em comparação com os introvertidos, os extrovertidos foram mais propensos a ter se casado, encontrado bons empregos, e feito novos amigos próximos.

Pessoas extrovertidas se envolvem mais com os outros. Elas têm um círculo maior de amigos e se envolvem mais frequentemente em atividades socialmente gratificantes. Elas recebem mais carinho e desfrutam de maior apoio social – uma importante fonte de bem-estar.

 

IV: Escolha Pessoal: Pessoas felizes acreditam que controlam seus próprios destinos

O pesquisador Angus Campbell, da Universidade de Michigan, comentou que "entre todas as condições de vida consideradas por sua pesquisa, ter um forte sentido de controlar a própria vida foi o preditor mais confiável quando se trata de sentimentos positivos de bem-estar." E que os 15% dos americanos que se sentem no controle de suas vidas e se sentem satisfeitos consigo mesmos têm "sentimentos extraordinariamente positivos de felicidade."

Considere o seu próprio senso de controle pessoal. Você concorda com a afirmação de que "eu não tenho controle suficiente sobre a direção que a minha vida está tomando" ou que "O que acontece comigo é da minha própria responsabilidade"? Que "o mundo é gerido por um grupo pequeno de pessoas poderosas" ou que "Uma pessoa comum pode influenciar as decisões do governo"? Aqueles cujas respostas a essas declarações revelam um "lócus de controle interno" normalmente vão melhor na escola, lidam melhor com o estresse e vivem mais felizes.

Aumentar a sensação de controle que as pessoas têm pode melhorar visivelmente a saúde e o estado de espírito delas também. Um estudo realizado pela psicóloga de Yale Judith Rodin incentivou pacientes de casas de repouso a exercerem mais controle – fazer escolhas sobre seu ambiente de convívio e influenciar a política do local. Como resultado, 93% tornou-se mais alerta, ativa e feliz. Resultados similares foram observados após permitir que os prisioneiros movessem cadeiras e controlassem as luzes e a TV, e depois de permitir que os trabalhadores participassem da tomada de decisões.

Felizes, também, são aqueles que ganham a sensação de controle que vem com uma gestão eficaz do seu tempo. Tempo livre, especialmente para as pessoas desempregadas que não são capazes de planejar e preencher seu tempo, é insatisfatório. Dormir tarde, ficar de bobeira, e assistir TV deixa uma sensação de vazio. Para as pessoas felizes, o tempo é "preenchido e planejado, e elas são pontuais e eficientes", diz o psicólogo da Universidade de Oxford, Michael Argyle. "Para as pessoas infelizes, o tempo é vago, aberto e descompromissado, eles adiam as coisas e são ineficientes."

Estabelecer prazos para si mesmo – e, em seguida, cumpri-los – pode levar à uma sensação deliciosa de autoconfiança no seu controle pessoal.

 

Finalmente: como ser feliz

É dito o suficiente que a felicidade vem com ter uma autoestima positiva, sentir-se no controle de nossas vidas, e ter uma personalidade otimista e extrovertida, mas como podemos reforçar essas características? Se quisermos ser mais felizes, é possível de alguma forma nos tornar mais positivos, focados em nossas vidas, mais confiantes e extrovertidos? O quão maleáveis nós realmente somos?

Conselhos bem-intencionados para "sermos mais extrovertidos" ou "termos uma visão mais alegre das coisas" podem nos sobrecarregar com a responsabilidade de escolher como será o nosso temperamento básico. Muito mais do que tais conselheiros percebem, nós trazemos nossas predisposições básicas com a gente para o mundo.

Mais e mais estudos mostram que nossos traços básicos de personalidade perduram, especialmente depois da infância. Enquanto psicólogos do desenvolvimento são por vezes surpreendidos pela forma como crianças perturbadas e infelizes amadurecem e viram adultos bem-sucedidos e competentes, há, contudo, uma consistência na personalidade. Após o fim da adolescência, traços como extroversão, estabilidade emocional, abertura, afabilidade e autoconsciência parecem persistir durante a vida adulta.

Mas também é verdade que temos o poder de afetar nossos próprios destinos, pois somos os criadores de nossos mundos sociais. Podemos ser os produtos do nosso passado, mas também somos os arquitetos do nosso futuro. A personalidade não está programada da mesma forma como a cor dos nossos olhos. As predisposições que trazemos conosco para o mundo deixa espaço para a influência da nossa criação, e dos nossos esforços próprios também. O que fazemos hoje molda o nosso mundo e a nós mesmos amanhã.

Se os psicólogos sociais provaram alguma coisa durante os últimos 30 anos, foi que as ações que fazemos deixam um resíduo dentro de nós. Toda vez que agimos, amplificamos a ideia subjacente ou a tendência por trás de tal ação. A maioria das pessoas imaginam o contrário: que nossos traços e atitudes afetam nosso comportamento. Embora isto seja verdade até certo ponto (embora menos do que comumente se supõe), também é verdade que nossos traços e atitudes são influenciados pelo nosso comportamento. Somos tão propensos a agir de acordo com uma nova maneira de pensar, quanto somos propensos a pensar em uma nova forma de agir.

Há uma moral prática aqui para todos nós. Queremos nós mudar a nós mesmos, de alguma forma importante? Talvez aumentar a nossa autoestima? Nos tornar mais otimistas e socialmente assertivos? Bem, uma estratégia simples é de se levantar e começar a fazer exatamente isso. Não se preocupe se você não se sentir à vontade. Simule. Finja autoestima. Finja otimismo. Simule extroversão.

Em experimentos, foi solicitado que pessoas escrevessem redações ou se apresentassem a um entrevistador ou de uma forma a se auto engrandecer ou de se autodepreciar. Aqueles que agem como se fossem pessoas excepcionalmente inteligentes, atenciosas e sensíveis expressam uma maior autoestima ao se descrever mais tarde, em particular, a outro pesquisador. Este efeito “dizer-torna-verdade” é utilizado por diversas técnicas de terapia (como a terapia comportamental, a terapia racional-emotiva, e a terapia cognitiva), cada uma das quais estimula os clientes a praticar falar e se comportar de forma mais positiva.

Sim, falar para as pessoas agirem ou falar positivamente soa como dizer às pessoas para serem falsas. Mas, como geralmente acontece quando passamos a desempenhar um papel novo – talvez nossos primeiros dias "tentando" ser pai, vendedor ou professor – uma coisa incrível acontece: A falsidade diminui gradualmente. Notamos que o nosso sentimento desconfortável de ser um pai, por exemplo, não parece mais forçado. O novo papel – e os novos comportamentos e atitudes que o acompanham – começam a entrar em nós tão confortavelmente como um bom e velho par de calça jeans.

A moral da história: dançar conforme a música pode desencadear emoções. Certamente você já reparou. Você está com um humor irritável, mas quando o telefone toca você finge estar animado enquanto fala com um amigo. Estranhamente, depois de desligar, você já não se sente tão mal-humorado. Este é o valor dos eventos sociais – eles nos impelem a nos comportar como se estivéssemos felizes, o que no final, nos ajuda a nos libertar da nossa infelicidade.

É verdade que não podemos esperar que nos tornaremos mais animados e socialmente confiantes do dia para a noite. Mas ao invés de covardemente nos conformarmos com nossas características e emoções atuais, podemos sair da zona de conforto pouco a pouco. Ao invés de esperar até nos sentir à vontade para fazer aquela ligação ou procurar aquela pessoa, nós podemos começar. Se estivermos muito ansiosos, nos sentindo pequenos, ou incapazes, podemos fingir, confiando que em pouco tempo o fingimento irá diminuir à medida que as nossas ações acenderem uma faísca dentro de nós – a faísca que nos levará à felicidade.  

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