Livros de ficção causam um impacto na nossa empatia?

Livros de ficção causam um impacto na nossa empatia?

Quão importante é a leitura de ficção na socialização das crianças em idade escolar? Pesquisadores da The New School em Nova York encontraram evidências de que a ficção literária melhora a capacidade de um leitor entender o que os outros estão pensando e sentindo.

Emanuele Castano, uma psicóloga social, juntamente com o candidato a doutorado David Kidd, realizaram cinco experimentos com o objetivo de avaliar o efeito que ler ficção literária tinha na Teoria da Mente[1] (em inglês, Theory of Mind – ToM) dos participantes.

Para isso eles dividiram um número variável de participantes (variando de 86 a 356) e lhes deram trechos de diferentes gêneros de livros: ficção literária, ficção popular e não ficção. Depois que os participantes leram os trechos de um dos três gêneros, Kidd e Castano testaram suas capacidades de inferir e entender os pensamentos e emoções de outras pessoas usando várias medidas bem estabelecidas. Uma dessas medidas é o teste “Ler a mente através dos olhos”, que pede aos participantes que olhem fotos em preto e branco dos olhos dos atores e indiquem a emoção expressa por esse ator. Outro é o teste de Yoni, que inclui ensaios afetivos e cognitivos. “Utilizamos várias medidas da Teoria da Mente para garantir que os efeitos não fossem específicos de um tipo de medida, acumulando evidências convergentes para nossa hipótese”, disseram os pesquisadores.

Através dos cinco experimentos, Kidd e Castano descobriram que os participantes que foram designados para ler a ficção literária tiveram resultados significativamente melhores nos testes de Teoria da Mente do que os participantes atribuídos aos outros grupos experimentais (que leram trechos de ficção popular e de não ficção), cujos resultados não diferiram entre si. Ou seja, o estudo mostra que nem todo tipo de ficção é eficaz na promoção de Teoria da Mente, e sim que a qualidade literária da ficção é o principal fator determinante.

Os resultados da pesquisa são consistentes com o que a crítica literária tem a dizer sobre os dois gêneros literários. A ficção popular tende a retratar situações que são de outro mundo e seguem uma fórmula que leva os leitores em uma montanha-russa de emoções e experiências emocionantes. Embora as configurações e as situações sejam grandiosas, os personagens são internamente consistentes e previsíveis, o que tende a afirmar as expectativas que o leitor tem dos outros. Parece razoável, então, a ideia de que a ficção popular não expanda a capacidade de empatizar com outras pessoas.

A ficção literária, em contraste, concentra-se mais na psicologia dos personagens e seus relacionamentos. “Muitas vezes, as mentes desses personagens são retratadas vagamente, sem muitos detalhes, e somos forçados a preencher as lacunas para entender suas intenções e motivações”, diz Kidd. Este gênero leva o leitor a imaginar os diálogos internos dos personagens. Esta consciência psicológica transporta para o mundo real, que é cheio de indivíduos complicados, cujas vidas internas são geralmente difíceis de entender. Embora a ficção literária tenda a ser mais realista do que a ficção popular, os personagens perturbam as expectativas dos leitores, minando preconceitos e estereótipos. Eles nos apoiam e nos ensinam valores sobre comportamento social, como a importância de entender aqueles que são diferentes de nós mesmos.

Os resultados sugerem que ler ficção é uma valiosa influência social. Os dados do estudo podem formular debates sobre o quanto a ficção deveria ser incluída nos currículos educacionais e se os programas de leitura deveriam ser implementados nas prisões, onde a leitura da ficção literária poderia melhorar o funcionamento social e a empatia dos indivíduos presos. Castano também espera que a descoberta incentive as pessoas com autismo a se dedicarem mais a leitura de livros de ficção literária, na esperança de que elas possam melhorar sua capacidade de compreender as emoções e pensamentos de outras pessoas.

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[1] A teoria da mente, também designada como mentalização ou perspectiva cognitiva, é a habilidade de atribuir e representar, em si próprio e nos outros, os estados mentais independentes – crenças, intenções, desejos, conhecimento, etc. – e de compreender que os outros possuem crenças, desejos e intenções que são distintas da sua própria. É um processo que se baseia apenas na compreensão cognitiva do estado mental de outrem sem se tornar emocionalmente envolvido.

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Por | 2018-08-17T19:37:03+00:00 outubro 17, 2017|Empatia|

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