Por que algumas pessoas deprimem durante as festas de fim de ano?

Por que algumas pessoas deprimem durante as festas de fim de ano?

É a época mais maravilhosa do ano ... bem, não para todos.

Enquanto as imagens de amor e alegria enchem vitrines, telas de TV e páginas de revistas, para muitas pessoas, a realidade dos feriados não é tão alegre. Entre os prazos estressantes de fim de ano, hábitos ruins de consumo de bebida e comida, disfunções familiares e a perda, é fácil entender porque a temporada de festas possa não ser tão feliz e alegre para algumas pessoas.

Lembretes constantes da felicidade dos outros também podem servir como um lembrete doloroso da felicidade e do amor que falta em nossas próprias vidas. Por esse motivo, o mês de dezembro pode ser um período particularmente difícil para aqueles que lidam com problemas de conflito familiar, perda, rupturas, divórcio, solidão e problemas de saúde mental.

Embora a chamada “depressão de fim de ano” seja difícil de definir – e, como um fenômeno psicológico, na verdade possa nem existir – os especialistas alertam para não a descartar como apenas um caso de tristeza. Muitas pessoas experimentam as festas de fim de ano como um momento estressante e sabemos que eventos estressantes tendem a desencadear depressão e tristeza”, disse James Sexton, professor assistente de psicologia profissional. “Então, nesta medida a depressão de fim de ano é algo muito real”.

No entanto, o termo depressão deve ser levado a sério e não simplesmente usado para explicar uma ‘depressão de fim de ano’ que desaparece magicamente em 26 de dezembro ou 2 de janeiro como qualquer outra condição médica, apenas porque a data muda. Existe a depressão, que pode sim ser desencadeada pelo estresse do fim de ano, mas também existe tristeza. E é muito importante saber diferenciar as duas coisas.

Do ponto de vista da pesquisa, há escasso – se é que algum – estudo que apoie a ideia de que a incidência de depressão é maior em torno dos feriados de fim de ano, disse o professor de psicologia George Howe. Na verdade, o contrário pode ser verdade. “As descobertas parecem inclinar-se para as festas como um tempo em que as pessoas geralmente se sentem melhor. Há alguma evidência de que as pessoas se sentem pior depois que as festas terminam, quando eles não têm amigos e entes queridos ao redor deles e eles retornam ao trabalho e suas rotinas regulares. É possível que certas pessoas fiquem mais deprimidas durante as festas”, Howe acrescentou: “mas ainda não há pesquisas identificando quem poderiam ser”.

Na verdade, algumas condições depressivas que parecem se relacionar com os feriados podem muito bem ser causadas por outros fatores. Molock observou que, para aqueles que estão em luto, uma perda recente pode tornar as festas de fim de ano especialmente desafiadoras. “Este pode ser o primeiro ano em que você teve que mudar significativamente seu estilo de vida. Ou você está enfrentando o primeiro feriado sem alguém que você ama”, disse ela. “Isso não é algo a irrelevante. As festas às vezes podem ser difíceis para as pessoas que sofreram perdas porque as associamos com um tempo para reunir e compartilhar momentos felizes com familiares e amigos”.

Sendo assim, o que parece tornar as pessoas tristes e fazer com que algumas pessoas acabarem caindo em uma depressão real, muitas vezes é a lembrança anual daqueles que não estão mais aqui, de tempos mais felizes não mais presentes e o reconhecimento de que as coisas podem não mudar para melhor e que próximo ano possa ser ainda pior.

Mas a tristeza é algo diferente. É doloroso e difícil de disfarçar mesmo na companhia dos outros, mas é parte da vida. No entanto, talvez não seja ruim ter um dia que promova a oportunidade para pensar no passado e nas coisas boas, assim como as difíceis.

Natal e outros feriados também devem ser vistos como oportunidades para falar sobre aqueles que não estão mais aqui; para contar histórias sobre como eles eram bem-humorados, olhar fotografias antigas, talvez fazer uma comida favorita de um livro de receitas bem usado, usar um prato ou toalha de mesa cujas lindas manchas evocam lembranças dos jantares passados. É uma oportunidade para contar para uma geração mais jovem sobre aqueles que você lembra, mas que nunca conheceram. É uma oportunidade para preencher os detalhes cotidianos de uma vida que parece ser familiar para você, mas parece ter acontecido há cem anos atrás. As oportunidades de perguntas e respostas que os feriados oferecem são o suficiente para aproximar os laços emocionais mais importantes e transcender a tristeza da falta de um ente querido.

A tristeza não é depressão. Ela pode fazer parte de um feriado feliz; tornado ainda mais doce pela presença lembrada daqueles que não estão mais aqui.

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Por | 2018-08-27T18:40:21+00:00 novembro 27, 2017|Depressão, Luto|

Um Comentário

  1. Sandro Silva janeiro 5, 2018 em 1:34 pm - Responder

    Por qual razão você não falou do ano que se foi com perdas de tempo, sem conquistas ou com conquistas pífias? envelhecendo não atingindo objetivos e vendo pessoas mais jovens conquistando grandes objetivos? um sujeito com mais de trinta anos que pode ainda conseguir algo que muitos conseguiram antes dos 25, e que na realidade conseguiram até mais do que isso, deve se sentir como? como os outros devem ver alguém assim? acho que vocês não falam dessas coisas porque o indivíduo irá olhar para o momento atual e uma das coisas que podem atrapalhar a psicoterapia é fazer com que o paciente foque no presente porque o momento atual é resultado do que foi construído por isso a psicoterapia busca fazer com que o paciente olhe para o futuro e se iluda achando que se dará bem estando mais velho quando surgem mais problemas.

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