Como o estresse afeta os seus objetivos e hábitos

Quer você goste ou não, o estresse desempenha um papel importante em sua vida.

Mas nem todo o estresse é ruim: ele pode criar resiliência e melhorar o desempenho. Já o estresse crônico, por outro lado, pode causar danos ao nosso cérebro e corpo. Além de também ter um efeito profundo em nosso comportamento: não apenas onde focamos nossa atenção ou como tomamos decisões, mas também afeta os nossos objetivos e hábitos.

Estudos recentes descobriram que, em momentos de estresse, o nosso comportamento dirigido a objetivos é jogado fora pela janela. Em vez disso, nosso cérebro favorece comportamentos de rotina.

Dependendo dos hábitos que você tem, esta notícia pode ser boa ou ruim, pois quando a vida nos estressa, podemos recair sobre nossos bons hábitos tão facilmente quanto nos nossos maus.

 

Estresse na vida real

A primeira evidência provém de pesquisadores da USC. Em 2013, eles descobriram que o comportamento orientado para a meta foi substituído por hábitos em tempos de estresse e os resultados desse estudo foram publicados no Journal of Personality and Social Psychology.

Em uma série de cinco experimentos, eles estudaram alunos durante um semestre escolar. Mais importante ainda, eles também os observaram durante as épocas de provas, o que lhes proporcionou um cenário da vida real para estudar como o comportamento dos estudantes iria se desenrolar em cenários estressantes.

Como esperado, esse momento em que muita coisa estava em jogo (notas das provas) provocou muito estudo, privação de sono e estresse. E o que os pesquisadores puderam observar foi um aumento em seus comportamentos rotineiros.

Por exemplo, os alunos que costumavam consumir um café da manhã não saudável (cereais matinais açucarados ou tortas de chocolate) passaram a comer ainda mais junk food durante o período de exames. Em contrapartida, os alunos que costumavam comer aveia pela manhã continuaram a comer bem, especialmente quando ficavam muito estressados.

Outros hábitos incluíam ir à academia ou ler o jornal pela manhã. Mesmo quando os alunos tinham um problema de tempo limitado, eles escolhiam prosseguir com essas atividades.

Wendy Wood, uma das pesquisadoras, disse em um comunicado à imprensa: “Você poderia esperar que, quando os estudantes estivessem estressados ​​e tivessem pouco tempo, eles não leriam o jornal, mas, em vez disso, eles se voltavam para seus hábitos de leitura”.

 

O Efeito do Estresse

Então, o que faz com que o nosso cérebro mude o nosso comportamento em momentos de pressão?

Pesquisadores da Alemanha fizeram a mesma pergunta em 2012. Eles suspeitavam que tinha algo a ver com substâncias químicas cerebrais relacionadas ao estresse.

Suas descobertas, publicadas no Journal of Neuroscience, revelaram que os hormônios do estresse fazem com que o cérebro mude de um comportamento direcionado para os objetivos e metas para um comportamento direcionado às rotinas previamente estabelecidas.

Em seu experimento, eles treinaram pessoas em uma atividade de computador baseada em recompensa por alimentos. Os participantes da pesquisa aprenderam que alguns botões específicos os dariam seus alimentos preferidos.

Uma vez que aprenderam isso, eles foram autorizados a comer o quanto quisessem. Na verdade, eles comeriam até que eles não expressassem mais um desejo pela comida.

Os participantes também receberam diferentes hormônios do estresse. E os cientistas descobriram que a combinação de dois hormônios do estresse específicos – yohimbina e hidrocortisona – faria com que eles seguissem com a rotina aprendida, mesmo que não a quisessem mais. Ou seja, em vez de escolher outra coisa para comer, eles continuavam pressionando os botões que lhes dava a comida que não desejavam mais.

Os dados de exames de ressonância magnética confirmaram que os dois hormônios provocavam uma atividade reduzida no córtex pré-frontal, uma área do cérebro ligada à tomada de decisões e ao planejamento. Já a área do cérebro relacionada ao comportamento habitual, no entanto, não era afetada.

 

Controle pode não ser a resposta

Então, qual é a conclusão que Wendy Wood tira de sua pesquisa com estudantes universitários? Ela responde: “Todo mundo fica estressado. Todo o foco no controle de seu comportamento pode não ser a melhor maneira de conseguir que as pessoas atinjam os objetivos”.

Nossos objetivos podem ser facilmente descarrilados e nós não podemos evitar o estresse, nem prever quando ele irá aparecer. Ele se torna o inimigo de nossa força de vontade, tornando mais difícil manter os nossos objetivos.

A pesquisa aponta para a importância dos nossos hábitos em um mundo estressante. Wendy continua: “Se você é alguém que não tem muita força de vontade, nosso estudo demonstra que os hábitos são ainda mais importantes para você”.

 

Comportamento aprendido

O estresse faz com que nosso cérebro confie em sua base evolutiva. Somos obrigados a pensar menos e agir mais.

Em vez de pensar com cuidado ou racionalmente, nosso cérebro automaticamente assume o controle com o objetivo de conservar nossos recursos cognitivos, tornando mais difícil controlar os impulsos ou resistir aos velhos hábitos. Nossa força de vontade desaparece.

Isso pode parecer muito horrível, pois todos nós temos maus hábitos que gostaríamos de mudar. Mas, podemos, no entanto, usar isso em nossa vantagem. Quando estressado, o nosso cérebro não para antes de decidir quais comportamentos são bons ou ruins. Ele simplesmente se baseia em nossas rotinas previamente estabelecidas.

O sucesso ou fracasso é, em grande parte, determinado pelo seu comportamento. Se você está pensando em se tornar um indivíduo mais forte e mais feliz, então realmente há apenas uma maneira de começar: certificando-se de que seu caminho é pavimentado com uma base em hábitos saudáveis. Dessa forma, quando o estresse chegar, você já terá estabelecido uma rotina baseada em hábitos bons para o seu cérebro copiar.

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By | 2018-02-03T16:10:47+00:00 dezembro 15th, 2017|Estresse, Metas|