Diga-me com quem andas e te direi quem és?

Diga-me com quem andas e te direi quem és?

Em uma entrevista para o Podcast The Art of Charm, Scott Dinsmore citou a famosa frase de Jim Rohn: “Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”.

Você deve estar se perguntando: isso é verdade? Se sim, porque? De que maneira as pessoas ao nosso redor moldam quem somos e quem nos tornamos?

Para insights sobre essas questões, aqui estão algumas explicações científicas sobre como as pessoas ao nosso redor influenciam quem somos – e por que devemos escolher nossos amigos sabiamente e nos cercar de pessoas estelares.

 

Seus amigos influenciam suas emoções

Você já percebeu como sair com uma pessoa positiva e otimista pode melhorar seu humor? Ou como passar o tempo com uma pessoa para baixo pode drenar você de toda a sua alegria e energia? Esses efeitos acontecem devido aquilo que psicólogos chamam de contágio emocional.

O contágio emocional basicamente significa que absorvemos os sentimentos e emoções daqueles que nos rodeiam. Como isso acontece? Segundo os psicólogos Elaine Hatfield, da Universidade do Havaí, e John Cacioppo, da Universidade de Chicago, isso se deve à nossa tendência natural de imitar as pessoas que nos rodeiam.

Quando duas pessoas estão juntas, elas irão inconscientemente copiar uma a outra. Elas farão expressões faciais semelhantes. Seus padrões vocais vão se alinhar. Elas vão copiar a postura um do outro. E outros movimentos do corpo começarão a se espelhar.

E, uma vez que esses novos gestos, posturas e expressões faciais ocorram, um loop de feedback entra em ação. Nossos cérebros reconhecem essas ações e começam a sentir as emoções associadas a cada gesto – emoções que, de outro modo, causariam esses movimentos.

Como Hatfield e Cacioppo explicam em seu artigo, “a experiência emocional subjetiva é afetada, momento a momento, pela ativação e/ou feedback do mimetismo facial, vocal, postural e de movimento”.

Esse impacto que as emoções das outras pessoas têm sobre nós não é apenas um fenômeno de curta duração. Em um estudo sobre felicidade com duração de 20 anos, psicólogos de Harvard descobriram que a sua felicidade é muito afetada pelos níveis de felicidade das pessoas em sua rede social. Se um amigo tiver um aumento na felicidade, você tem 25% mais chances de ter um aumento nos seus níveis de felicidade também.

Como o artigo explica, “as pessoas que estão cercadas por muitas pessoas felizes e aquelas que são centrais na rede têm mais probabilidade de se tornarem felizes no futuro […] A felicidade das pessoas depende da felicidade de outras pessoas com as quais elas estão conectadas”.

 

Nosso desejo por conformidade

Às vezes, o impacto que os outros têm sobre nós é simplesmente o resultado de uma escolha consciente. Estamos em conformidade com as pessoas ao nosso redor porque escolhemos fazê-lo.

Segundo os psicólogos Morton Deutsch e Harold Gerard, as pessoas são levadas a se conformar por duas razões principais: serem amadas e estarem certas. É bom ser aceito pelos outros e é mais fácil andar junto à multidão do que ir contra ela. E quando estamos cercados por pessoas que tomaram as mesmas decisões que nós, isso nos ajuda a validar nossas próprias escolhas.

Nossa disposição para se conformar foi demonstrada em um famoso estudo de 1955 da psicóloga Solomn Asch. Nele, três linhas de diferentes comprimentos foram apresentadas a um grupo. Em seguida, uma quarta linha foi apresentada ao grupo e os participantes foram questionados sobre qual das três linhas anteriores tinha o mesmo comprimento que a quarta.

Mas havia uma pegadinha: Em cada grupo havia apenas um participante verdadeiro, os outros todos eram atores plantados por Asch. Esses atores declarariam sua resposta antes do participante, e todos davam a resposta errada.

Como as pessoas reagiram nessa situação? Quando os participantes tiveram que adivinhar sozinhos quais linhas tinham o mesmo tamanho, eles acertaram 99% das vezes. Quando eles estavam cercados pelos atores que propositadamente erravam a resposta, eles ficavam mais propensos a seguir a multidão e adivinhar errado também. O número de respostas corretas caiu para 74%. Ou seja, mesmo que as pessoas soubessem a resposta certa, elas ou se convenciam de que estavam erradas ou se reprimiam e davam a resposta errada 36% do tempo com o objetivo de evitar ir contra o grupo.

 

Seus amigos influenciam o que você faz

Até agora, vimos como nossas emoções e decisões são moldadas por aqueles que nos rodeiam. Mas e os traços de caráter? Vamos dizer que você se vê como alguém que tem pouco autocontrole. Seria possível desenvolver mais autocontrole cercando-se de pessoas que tenham esse traço?

Pesquisas sugerem que sim. Um estudo sobre autocontrole publicado na revista Psychological Science descobriu que quando alguém não tem autocontrole, eles começam a valorizar mais esse traço em outras pessoas. Não só isso, quando as pessoas sentem que tem pouco autocontrole e que seu parceiro tem forte autocontrole, elas relatam sentir um forte senso de dependência de seu parceiro.

Catherine Shea, a psicóloga que lidera o estudo, resume as descobertas apontando que “os indivíduos com baixo autocontrole parecem envolver-se implicitamente com indivíduos que podem ajudá-los a superar a tentação – você consegue fazer isso com uma pequena ajuda de seus amigos”.

 

Como os amigos influenciam os nossos hábitos

Quer desenvolver melhores hábitos? É só se envolver com pessoas que já possuem esses hábitos. Esse efeito é tão forte que você pode adquirir os hábitos dos outros, mesmo quando não estiver ativamente tentando fazer isso.

Tomemos, por exemplo, um estudo realizado na Marquette University sobre os efeitos do ganho de peso entre calouras universitárias. Se uma mulher estava fazendo uma dieta e tinha um regime de exercícios regulares, a sua colega de quarto (atribuída aleatoriamente) iria ganhar menos peso (meio quilo). Se ela não estivesse fazendo dieta e se exercitando, sua colega de quarto costumava ganhar 2,5 quilos.

Segundo outras pesquisas, estudos e hábitos de sucesso também podem ser contagiantes. Entre os alunos do ensino médio, ficou comprovado que os alunos de baixo desempenho que se tornaram amigos de alunos de alto desempenho obtiveram um sucesso acadêmico maior do que aqueles que passavam mais tempo com outros alunos de baixo desempenho.

Mas, assim como os bons hábitos podem passar para nós, os negativos também podem. No artigo citado anteriormente, sobre os efeitos das colegas de quarto no primeiro ano de faculdade, também descobriu que é mais provável que os calouros bebam muito se o seu colega de quarto for um bebedor pesado. E se um aluno trouxer um Xbox ou um Playstation para o dormitório, os hábitos de estudo e nota média de seu colega de quarto também declinam.

Conclusão: As pessoas que nos cercam têm uma grande influência nos hábitos.

 

Você aprende assistindo

Digamos que você esteja em um evento de networking. Você não conhece ninguém e não sabe exatamente como se comportar. Você deveria tomar outra bebida? O que você deveria falar? Em situações como essas, como você descobriria o que fazer e como agir?

Provavelmente, observando os outros.

A ideia de que aprendemos observando os que estão à nossa volta realmente decolou com o famoso experimento da boneca Bobo de Albert Bandura. Neste experimento, as crianças assistiram adultos interagirem com uma boneca e tiveram a chance de interagir com a mesma boneca depois. Após assistir a um adulto agir violentamente em relação à boneca, uma criança imitaria esse comportamento. Mas, se a criança viu o adulto agir mais passivamente em relação a ela, então a criança também agiria passivamente.

No artigo Influência: a Psicologia da Persuasão, Robert Caldini fala sobre um fator em particular que nos faz olhar para os que nos rodeiam em busca de pistas sobre como agir: a incerteza. Como Caldini explica, “quando estamos incertos, estamos dispostos a depositar uma enorme confiança no conhecimento coletivo da multidão”.

Pense sobre as implicações disso no mundo real: se você está insatisfeito com seu salário, mas não sabe o que fazer em relação a isso, e seus amigos estão no mesmo barco reclamando, então essa mentalidade vai acabar contaminando você. Mas, se você está cercado por amigos que estão constantemente procurando fazer o que puderem para melhorar sua situação – se você tem amigos que se esforçam para descobrir maneiras de aumentar o salário deles – então, essa motivação e determinação vão acabar influenciando você também.

 

Outros fatores ambientais importantes

Não são apenas as pessoas ao seu redor que afetam seu humor, hábitos e sucesso em geral. O ambiente em que você está também influencia como você cresce e se desenvolve. E grande parte dessa influência vem da mídia.

Não faltam pesquisas para examinar os efeitos que a mídia tem sobre nós. Violência na TV e videogames violentos podem aumentar a agressividade em crianças. Da mesma forma, letras de músicas agressivas levam a mais pensamentos e sentimentos de agressão.

Mas, assim como a mídia pode influenciar nossas ações de forma agressiva, ela também pode nos levar a um comportamento positivo. Estudos mostraram que a exposição à mídia pró-social diminui a agressão, aumenta a empatia e leva a comportamentos mais úteis em relação aos outros.

Da mídia aos amigos, dos cenários sociais aos precedentes culturais, somos – de uma forma muito real – o produto do nosso entorno.

E, no entanto, podemos escolher nosso ambiente em muitos casos – e, na maioria dos casos, podemos certamente determinar como os processamos e interpretamos.

Portanto, escolha seus amigos com sabedoria e envolva-se com excelência. Encontre as pessoas que te elevam. Escolha os eventos que inspiram você. Abrace os hábitos que melhoram você.

E, ao fazer isso, avise-nos se notar qualquer alteração em si mesmo na seção de comentários abaixo!

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Por | 2018-12-06T14:18:48+00:00 novembro 2, 2018|Amizade, Mudança|

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