Seu maior arrependimento é a coisa que você não fez

Seu maior arrependimento é a coisa que você não fez

Pense na semana passada. Qual é o seu maior arrependimento? Você contou uma piada que ninguém achou graça ou entrou no banheiro errado por engano? Agora pense novamente. Nós supomos que se você está se lembrando de seus arrependimentos do passado mais distante, a maioria deles não são coisas embaraçosas que você fez ou disse, e sim das coisas que você não fez.

Gostarias e Deverias

Aqui está um cenário adaptado do livro de Daniel Gilbert "Tropeçar na Felicidade": Imagine você ganhar um milhão de dólares. Você recebe o telefonema, enlouquece, conta a todos os seus amigos, investe todo o dinheiro na próxima grande empresa – e logo perde tudo. Ok, vamos retroceder. Desta vez, você acabou de ganhar um milhão de dólares, mas não atendeu o telefonema e eles deram o dinheiro para outra pessoa. Em ambos os casos, você cometeu um erro. Mas de qual deles você vai se arrepender mais? Embora pesquisas sugiram que a maioria de nós pense que fracassar publicamente escolhendo mal como investir o dinheiro seja mais embaraçoso, inúmeros estudos demonstram que são os erros de inação que incomodam os nossos cérebros por anos a fio. Em outras palavras, com o passar dos anos, arrependimentos do tipo "eu gostaria de ter atendido a essa chamada" são muito mais comuns do que "gostaria de não ter gastado todo esse dinheiro".

Há realmente uma curva previsível de arrependimento. No curto prazo, seu cérebro tende a se concentrar no que pode ser chamado de "erros ativos", como gastos tolos, enquanto se sente bastante confiante sobre as suas decisões de não agir. Mas, com o passar do tempo, a maioria das ações embaraçosas ou arrependidas que você tomou tendem a ser esquecidas, enquanto os momentos em que você não fez nada começam a parecer muito maiores.

O psicólogo de Stanford, Dr. Lewis Terman, estudou um grupo de pessoas (apelidado de "Cupins de Terman") ao longo de suas vidas, e descobriu que, quando seus participantes tinham mais de 80 anos, seus arrependimentos mais comuns eram centrados em sentimentos como: "Eu gostaria de ter feito faculdade" e "Eu gostaria de ter sido mais assertivo". É claro – decidir não fazer nada tem mais chance de parecer a coisa certa a ser feita a curto prazo, mas voltará para assombrá-lo no futuro.

 

Sua vida ideal

Há outra maneira que os arrependimentos são complicados pela forma como as nossas vidas se desenrolam. Você pode pensar nisso em termos do seu "Eu Dever" versus seu "Eu Ideal". Seu Eu Dever deve ser o seu futuro imaginado de como as coisas "supostamente devem ser": talvez você imagine que vá ter um emprego estável, se casar, ter filhos, se aposentar. Você sabe, as coisas que são esperadas de você. Já o seu Eu Ideal é o seu eu imaginado que faz o que você realmente quer fazer. Essa pessoa é um dramaturgo, um surfista profissional ou um cientista de sucesso. Obviamente, há alguma reconciliação a ser feita entre o Eu Dever e o Eu Ideal. Mas, curiosamente, é um arrependimento sobre o nosso Eu Ideal que realmente nos incomoda.

Participantes de um estudo publicado na revista Emotion demonstraram isso claramente: 72% relataram sentir arrependimentos referentes ao seu Eu Ideal ("Eu gostaria de ter terminado meu livro") mais do que aqueles que pertencem ao seu Eu Dever ("Eu gostaria de ter pedido mais aumentos"). 57% incluíam mais auto arrependimentos sobre o Eu Ideal do que auto arrependimentos do Eu Dever em uma lista de dos maiores arrependimentos de suas vidas, e 76% nomearam seu Eu Ideal como o maior arrependimento de suas vidas.

Os pesquisadores acham que essa discrepância pode ser causada pelo fato de que é mais provável que tentemos consertar arrependimentos do Eu Dever, seja tomando medidas para reparar erros ou justificando-os a nós mesmos: em um estudo de acompanhamento, os participantes receberam dois arrependimentos hipotéticos e tiveram uma maior propensão a aliviar a dor de arrependimentos do Eu Dever, pensando em planos para lidar com as falhas, ou simplesmente encontrando o lado positivo da situação.

Os pesquisadores também levantaram a hipótese de que esse padrão de comportamento deriva do fato de que arrependimentos do Eu Dever são frequentemente mais imediatos e orientados pelo contexto, ao passo que arrependimentos do Eu ideal são menos alcançáveis e tendem a ser livres de contexto. Em outras palavras, se você se arrepende de não vender sua casa quando deveria, você tem o contexto de conhecer o mercado imobiliário na época, entender suas motivações e saber que esse contratempo não atrapalhou totalmente sua vida. Mas se você se arrepende de não ter se tornado o campeão de "Donkey Kong" que você sempre soube que poderia ser, você está apenas vendo a parte ideal, e nenhuma das horas de treino, derrotas inevitáveis e relações de bastidores ruins.

Agora, que tal voltarmos a pergunta que fizemos no início do texto? Qual é o seu maior arrependimento? Pense nisso e veja se você poderia mudar algo!

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Por | 2019-01-02T15:15:38+00:00 janeiro 2, 2019|Autocrescimento, Sentido da Vida|

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