Tudo Sobre: Transtorno de Ansiedade

Tudo Sobre: Transtorno de Ansiedade 2019-01-04T02:01:25+00:00

Os transtornos de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionados. Medo é a resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de ameaça futura.

A ansiedade pode ser uma reação normal a situações estressantes e um mecanismo para lidar com situações difíceis. O simples fato de experimentar ansiedade às vezes não significa que você precisa de ajuda de um profissional, pelo contrário, significa que você está desenvolvendo um importante mecanismo evolutivo para lidar com situações do seu dia a dia. Outras vezes, no entanto, a ansiedade pode tornar-se excessiva, crônica e passar a interferir na capacidade de funcionar e de lidar com o dia a dia. Nesses casos ela pode ser classificada como um Transtorno de Ansiedade, que é caracterizado por sintomas emocionais, físicos e comportamentais que geram sentimentos desagradáveis de inquietude, medo e preocupação.

Pessoas que sofrem de ansiedade crônica frequentemente relatam os seguintes sintomas: tremor, fadiga, dores de cabeça, tensão e dor muscular, suor e ondas de calor, medo, pensamento acelerado, irritabilidade, falta de ar, palpitações cardíacas, inquietude, náusea.

Estes sintomas são graves e perturbadores o suficiente para fazer com que as pessoas se sintam extremamente desconfortáveis, fora de controle e indefesas.

Os transtornos de ansiedade são divididos em diversos tipos, incluindo: Transtorno de Pânico, Transtorno de Fobia Social e Transtorno de Ansiedade Generalizada. Vamos falar um pouco sobre estes diversos quadros de ansiedade.

 

Subtipos:

 

Transtorno de Pânico:

Pessoas com pânico têm sentimentos de terror que as atacam repentina e repetidamente. Elas geralmente não conseguem prever quando eles vão acontecer, e, por isso, muitas pessoas acabam desenvolvendo sentimentos de intensa ansiedade entre os episódios, pois não sabem quando e onde outro episódio poderá acontecer.

Durante um ataque de pânico a pessoa costuma sentir o coração batendo forte, fraqueza, sudorese, tontura e mãos dormentes e, por isso, ataques de pânico são muitas vezes confundidos com ataques cardíacos ou derrames.

Nem todo mundo que tem um ataque de pânico vai desenvolver Transtorno de Pânico, já que é possível ter apenas um ataque na vida. Além disso, o Transtorno de Pânico é muitas vezes acompanhado de outras condições como a depressão ou uso abusivo de álcool e drogas, como uma maneira de lidar e prevenir alguns sintomas. Ele também pode gerar fobias a lugares ou situações nas quais ocorreram ataques de pânico. Por exemplo, se um ataque de pânico aconteceu enquanto a pessoa estava andando de elevador, ela pode desenvolver um medo de elevador e, talvez, começar a evitar andar neles.

Por causa disso a vida de algumas pessoas passa a ficar extremamente restrita – uma vez que elas começam a evitar atividades normais do dia a dia como fazer compras de supermercado, dirigir e, em alguns casos, até sair de casa. Basicamente, elas passam a evitar qualquer circunstância em que possam se sentir desamparadas se um ataque de pânico acontecer.

 

Agorafobia:

Marcada por um medo ou ansiedade marcantes acerca de duas (ou mais) das cinco situações seguintes: 1. Uso de transporte público; 2. Permanecer em espaços abertos; 3. Permanecer em locais públicos fechados; 4. Permanecer em uma fila ou ficar em meio a uma multidão; 5. Sair de casa sozinho.

O indivíduo passa a evitar crônica e ativamente qualquer situação onde ela possa estar sozinha ou desamparada devido ao medo incontrolável de ter ataques de pânico ou de perder o controle físico e/ou emocional num ambiente onde a ajuda pode não estar disponível, ser ineficaz ou ser embaraçosa). O medo, ansiedade ou esquiva causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Para que seja realizado o diagnóstico, o medo ou ansiedade deve desproporcional ao perigo real apresentado pelas situações agorafóbicas e ao contexto sociocultural e deve durar mais de seis meses.

 

Fobia Específica:

Preocupação ou medo de determinadas situações, atividades, animais ou objetos não são incomuns. Muitas pessoas sentem-se ansiosas quando se deparam com cobras ou aranhas, altura, ou precisam viajar de avião. O medo é uma resposta racional a situações que podem trazer riscos a nossa segurança.

No entanto, algumas pessoas reagem a certos objetos, atividades ou situações (conhecidos como estímulos fóbicos) imaginando ou exagerando irracionalmente perigo. Seus sentimentos de pânico, medo ou terror são completamente desproporcionais ao risco real. Às vezes apenas pensar sobre o estímulo fóbico, ou vê-lo na televisão, pode ser o suficiente para desencadear uma reação. Esse tipo de reação excessiva pode ser indicativa de uma Fobia Específica.

As pessoas com Fobias Específicas muitas vezes têm consciência de que seus medos são exagerados ou irracionais, mas sentem que suas reações são automáticas e incontroláveis. As fobias específicas muitas vezes estão associadas com ataques de pânico, durante os quais a pessoa experiência sensações físicas desagradáveis como batimentos cardíacos fortes, falta de ar, náusea, fraqueza, tontura, dor torácica, calafrios e transpiração.

As fobias específicas geralmente se dividem nas seguintes categorias: (A) Animal: medo relacionado a animais ou insetos; (B) Natureza: medo associado a eventos naturais, como trovão ou altura; (C) Sangue/injeção/lesão: medo associado a procedimentos médicos invasivos; (D) Situacional: medo de situações específicas, como elevador, pontes, dirigir; (E) Outras: qualquer outra fobia específica, como medo de engasgar ou vomitar.

É possível ter mais de um tipo de fobia específica. Outras fobias especificas, como medo de falar em público, são mais relacionadas com fobias sociais.

 

Transtorno de Fobia Social:

O Transtorno de Fobia Social é representado por um medo intenso de ficar extremamente ansioso e passar vergonha em situações sociais.

Uma pessoa que sofre de fobia social tende a pensar que as outras são muito melhores do que ela em falar em público, bater papo e socializar com os outros. Elas tendem a focar em pequenos erros que elas cometem em situações sociais e os exageram desproporcionalmente. Por exemplo, o simples fato de ficar com as bochechas coradas é extremamente vergonhoso para uma pessoa com fobia social e elas sentem como se todas os olhares estivessem focados nela.

Algumas pessoas com esse tipo de fobia têm medos específicos, como falar em público ou ter que falar com o chefe sobre algum problema no trabalho. Já outras tem medos mais generalizados – como medo de qualquer situação social, especialmente se elas envolverem pessoas desconhecidas. Em alguns casos raros, a fobia pode envolver medo de ir a banheiros públicos, comer fora ou falar no telefone na presença de outras pessoas.

Mas é muito comum confundir timidez com fobia social. Enquanto pessoas tímidas podem ficar um pouco desconfortáveis na presença de outras, elas geralmente não experienciam a mesma forma de ansiedade extrema que pessoas com fobia social experimentam. Além disso, pessoas tímidas normalmente não tentam evitar situações sociais da mesma forma que as pessoas com fobia fazem.

A maioria das pessoas com fobia social tem consciência de que seus sentimentos são extremos e irracionais. Ainda assim elas experienciam um grande temor antes de enfrentar a tão temida situação e podem até tentar evitá-la. Mesmo que sejam capazes de enfrentar seus medos, elas geralmente se sentem bastante ansiosas antes e sentem-se extremamente desconfortáveis durante o evento. Mesmo após a situação acabar elas ainda podem vivenciar sentimentos desagradáveis, pois elas ficam preocupadas com o julgamento dos outros ou sobre o que os outros podem ter pensado sobre elas.

 

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG):

É mais forte do que a ansiedade normal vivenciada no dia a dia pelas pessoas. É uma preocupação e tensão crônica e exacerbada, muitas vezes sem nenhuma causa aparente. Esse transtorno geralmente implica em se preocupar demasiadamente com a saúde, dinheiro, família, trabalho, criando, muitas vezes fantasias catastróficas sobre coisas que podem vir a acontecer de errado. Outras vezes, no entanto, é difícil identificar a fonte de tanta preocupação, e apenas pensar sobre o dia que está por vir pode provocar crises de ansiedade.

As pessoas com TAG tem muita dificuldade em relaxar, mesmo quando são capazes de perceber que suas preocupações são irracionais, sendo assim, é comum apresentar problemas para dormir. Eles tendem a se sentir cansados, ter problemas de concentração e, às vezes, depressão.

O TAG geralmente aparece gradualmente na infância ou na adolescência, mas também pode ter início na vida adulta. Ele é mais comum em mulheres do que em homens e muitas vezes manifesta-se em pessoas de uma mesma família. Ele é diagnosticado quando os sintomas permanecem por pelo menos 6 meses.

 

Transtorno de Ansiedade de Separação:

Caracterizado por um medo ou ansiedade excessivos e recorrentes envolvendo a separação de casa ou de figuras de apego. Há uma preocupação persistente e excessiva acerca da possível perda ou de perigos envolvendo figuras importantes de apego, tais como doença, ferimentos, desastres ou morte, e uma relutância persistente ou recusa a sair, afastar-se de casa, ir para a escola, o trabalho ou a qualquer outro lugar, em virtude do medo da separação.

Muitas vezes há presença de pesadelos envolvendo o tema da separação e queixas de sintomas somáticos (p. ex., cefaleias, dores abdominais, náusea ou vômitos) quando a separação de figuras importantes de apego ocorre ou é prevista.

Mais comumente encontrado em crianças, mas também pode ocorrer na vida adulta, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, acadêmico, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Para que o diagnóstico ocorra, o medo, a ansiedade ou a esquiva persistente, deve durar pelo menos quatro semanas em crianças e adolescentes e geralmente seis meses ou mais em adultos.

 

Transtornos de Ansiedade: diagnóstico e tratamento

 

Assim como outras formas de problemas psíquicos, podemos afirmar que os transtornos de ansiedade não são uma forma de fraqueza pessoal. De acordo com estudos recentes, eles são causados por uma combinação de diversos fatores como mudanças no funcionamento dos circuitos cerebrais responsáveis pela regulação do medo e a exposição a ambientes estressantes.

Na maioria das vezes os pacientes buscam ajuda de um médico acreditando que possuem problemas físicos (já que os sintomas físicos são extremamente fortes e podem ser confundidos com infartos, por exemplo).

O diagnóstico é feito baseando-se na intensidade e duração dos sintomas e nas observações que o médico faz sobre o comportamento do paciente.

Transtornos de Ansiedade podem ser tratados com muita eficiência de forma que você aprenda a controlar a ansiedade para que ela não controle você. O sucesso do tratamento varia de pessoa para pessoa. Algumas respondem apenas algumas semanas após o início, enquanto outros podem precisar de mais de um ano para começar a sentir algum efeito. Esse é um dos motivos pelo qual o tratamento deve ser customizado para cada caso. Além disso, o tratamento vai depender de qual tipo de transtorno o paciente apresenta e a severidade deste.

Para sintomas leves o profissional de saúde pode sugerir mudanças no estilo de vida, como fazer exercícios físicos regularmente e reduzir os níveis de estresse. Já para os sintomas moderados a severos o tratamento pode ser uma combinação dos seguintes tipos:

Técnicas de Gerenciamento de Estresse: Técnicas de gerenciamento de estresse e meditação podem ajudar pessoas com transtornos de ansiedade a se acalmarem e podem melhorar os efeitos da terapia. Como sempre, essas técnicas são subjetivas e nem sempre o que funciona para um indivíduo vai funcionar para todos. Sendo assim, é preciso ter paciência e estar aberto a testar técnicas diferentes. Entre elas, algumas técnicas comumente utilizadas (e com eficácia comprovada por pesquisas) são: respiração mindfullness, meditação, yoga, exercícios físicos regulares, caminhar, escrever, entre outros.

Psicoterapia: pode ser uma aliada importante na busca de formas de lidar com os sintomas e encontrar as raízes da ansiedade. Somente através de uma mudança interna e permanente na forma de estar no mundo vai possibilitar a diminuição dos sintomas. Sendo assim, para ser eficaz, a psicoterapia deve ser dirigida às ansiedades específicas da pessoa e adaptada às suas necessidades.

Tratamento Medicamentoso: A medicação não cura os transtornos de ansiedade, mas pode ajudar a aliviar os sintomas e deve ser prescrita por médico ou psiquiatra. As classes mais comuns de medicamentos usados para combater transtornos de ansiedade são os ansiolíticos (como os benzodiazepínicos), os antidepressivos e os betabloqueadores.

  • Ansiolíticos: podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade, ataques de pânico ou medo e preocupação extremos e são mais comumente chamados de benzodiazepínicos. Além de eficazes no alívio da ansiedade, têm efeito mais rápido do que os medicamentos antidepressivos. Porém, as pessoas podem desenvolver uma tolerância a eles se tomados por um longo período de tempo e podem precisar de doses cada vez mais altas para obter o mesmo efeito, podendo inclusive, criar dependência. Para evitar esses problemas, os médicos geralmente prescrevem benzodiazepínicos por curtos períodos de tempo. E como descontinuar o uso desses medicamentos pode causar sintomas de abstinência ou o retorno dos sintomas de ansiedade, os benzodiazepínicos devem ser diminuídos de forma lenta e segura, com acompanhamento médico.
  • Antidepressivos: podem ajudar a melhorar a maneira como o cérebro usa certos neurotransmissores que controlam o humor ou o estresse. Você pode precisar tentar vários medicamentos antidepressivos antes de encontrar o que melhora seus sintomas e tem efeitos colaterais gerenciáveis, no entanto, eles podem levar tempo para surtir efeito, por isso é importante dar uma chance à medicação antes de chegar a uma conclusão sobre sua eficácia. Os antidepressivos chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRNs) são comumente usados como tratamentos de primeira linha para a ansiedade.
  • Betabloqueadores: embora sejam mais usados para tratar a pressão alta, eles também podem ser usados para ajudar a aliviar os sintomas físicos da ansiedade, como batimentos cardíacos rápidos, tremores, tremores e rubor. Estes medicamentos, quando tomados por um curto período de tempo, podem ajudar as pessoas a manter os sintomas físicos sob controle.

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