Diagnóstico: Ansiedade

Diagnóstico: Ansiedade 2018-04-15T17:02:01+00:00

Os transtornos de ansiedade são divididos em diversos tipos, incluindo: Transtorno de Pânico, Transtorno de Fobia Social e Transtorno de Ansiedade Generalizada. Vamos falar um pouco sobre estes diversos quadros de ansiedade.

A ansiedade pode ser uma reação normal a situações estressantes e um mecanismo para lidar com situações difíceis. O simples fato de experimentar ansiedade às vezes não significa que você precisa de ajuda de um profissional, pelo contrário, significa que você está desenvolvendo um importante mecanismo evolutivo para lidar com situações do seu dia a dia. Outras vezes, no entanto, a ansiedade pode tornar-se excessiva, crônica e passar a interferir na capacidade de funcionar e de lidar com o dia a dia. Nesses casos ela pode ser classificada como um Transtorno de Ansiedade, que é caracterizado por sintomas emocionais, físicos e comportamentais que geram sentimentos desagradáveis de inquietude, medo e preocupação.

Pessoas que sofrem de ansiedade crônica frequentemente relatam os seguintes sintomas: tremor, fadiga, dores de cabeça, tensão e dor muscular, suor e ondas de calor, medo, pensamento acelerado, irritabilidade, falta de ar, palpitações cardíacas, inquietude, náusea.

Estes sintomas são graves e perturbadores o suficiente para fazer com que as pessoas se sintam extremamente desconfortáveis, fora de controle e indefesas.

 

Subtipos:

Transtorno de Pânico:

Pessoas com pânico têm sentimentos de terror que as atacam repentina e repetidamente. Elas geralmente não conseguem prever quando eles vão acontecer, e, por isso, muitas pessoas acabam desenvolvendo sentimentos de intensa ansiedade entre os episódios, pois não sabem quando e onde outro episódio poderá acontecer.

Durante um ataque de pânico a pessoa costuma sentir o coração batendo forte, fraqueza, sudorese, tontura e mãos dormentes e, por isso, ataques de pânico são muitas vezes confundidos com ataques cardíacos ou derrames.

Nem todo mundo que tem um ataque de pânico vai desenvolver Transtorno de Pânico, já que é possível ter apenas um ataque na vida. Além disso, o Transtorno de Pânico é muitas vezes acompanhado de outras condições como a depressão ou uso abusivo de álcool e drogas, como uma maneira de lidar e prevenir alguns sintomas. Ele também pode gerar fobias a lugares ou situações nas quais ocorreram ataques de pânico. Por exemplo, se um ataque de pânico aconteceu enquanto a pessoa estava andando de elevador, ela pode desenvolver um medo de elevador e, talvez, começar a evitar andar neles.

Por causa disso a vida de algumas pessoas passa a ficar extremamente restrita – uma vez que elas começam a evitar atividades normais do dia a dia como fazer compras de supermercado, dirigir e, em alguns casos, até sair de casa. Basicamente, elas passam a evitar qualquer circunstância em que possam se sentir desamparadas se um ataque de pânico acontecer.

Quando a vida de uma pessoa se torna tão restrita por causa do transtorno (e ela passa a evitar cronicamente qualquer situação onde ela possa estar sozinha ou desamparada devido ao medo incontrolável de ter ataques de pânico ou de perder o controle físico e/ou emocional num ambiente onde a ajuda pode não estar disponível, ser ineficaz ou ser embaraçosa), como acontece com aproximadamente um terço das pessoas que tem Transtorno de Pânico, essa condição passa a ter o nome de agorafobia.

 

Fobia Específica:

Preocupação ou medo de determinadas situações, atividades, animais ou objetos não são incomuns. Muitas pessoas sentem-se ansiosas quando se deparam com cobras ou aranhas, altura, ou precisam viajar de avião. O medo é uma resposta racional a situações que podem trazer riscos a nossa segurança.

No entanto, algumas pessoas reagem a certos objetos, atividades ou situações (conhecidos como estímulos fóbicos) imaginando ou exagerando irracionalmente perigo. Seus sentimentos de pânico, medo ou terror são completamente desproporcionais ao risco real. Às vezes apenas pensar sobre o estímulo fóbico, ou vê-lo na televisão, pode ser o suficiente para desencadear uma reação. Esse tipo de reação excessiva pode ser indicativa de uma Fobia Específica.

As pessoas com Fobias Específicas muitas vezes têm consciência de que seus medos são exagerados ou irracionais, mas sentem que suas reações são automáticas e incontroláveis. As fobias específicas muitas vezes estão associadas com ataques de pânico, durante os quais a pessoa experiência sensações físicas desagradáveis como batimentos cardíacos fortes, falta de ar, náusea, fraqueza, tontura, dor torácica, calafrios e transpiração.

As fobias específicas geralmente se dividem nas seguintes categorias: (A) Animal: medo relacionado a animais ou insetos; (B) Natureza: medo associado a eventos naturais, como trovão ou altura; (C) Sangue/injeção/lesão: medo associado a procedimentos médicos invasivos; (D) Situacional: medo de situações específicas, como elevador, pontes, dirigir; (E) Outras: qualquer outra fobia específica, como medo de engasgar ou vomitar.

É possível ter mais de um tipo de fobia específica. Outras fobias especificas, como medo de falar em público, são mais relacionadas com fobias sociais.

 

Transtorno de Fobia Social:

O Transtorno de Fobia Social é representado por um medo intenso de ficar extremamente ansioso e passar vergonha em situações sociais.

Uma pessoa que sofre de fobia social tende a pensar que as outras são muito melhores do que ela em falar em público, bater papo e socializar com os outros. Elas tendem a focar em pequenos erros que elas cometem em situações sociais e os exageram desproporcionalmente. Por exemplo, o simples fato de ficar com as bochechas coradas é extremamente vergonhoso para uma pessoa com fobia social e elas sentem como se todas os olhares estivessem focados nela.

Algumas pessoas com esse tipo de fobia têm medos específicos, como falar em público ou ter que falar com o chefe sobre algum problema no trabalho. Já outras tem medos mais generalizados – como medo de qualquer situação social, especialmente se elas envolverem pessoas desconhecidas. Em alguns casos raros, a fobia pode envolver medo de ir a banheiros públicos, comer fora ou falar no telefone na presença de outras pessoas.

Mas é muito comum confundir timidez com fobia social. Enquanto pessoas tímidas podem ficar um pouco desconfortáveis na presença de outras, elas geralmente não experienciam a mesma forma de ansiedade extrema que pessoas com fobia social experimentam. Além disso, pessoas tímidas normalmente não tentam evitar situações sociais da mesma forma que as pessoas com fobia fazem.

A maioria das pessoas com fobia social tem consciência de que seus sentimentos são extremos e irracionais. Ainda assim elas experienciam um grande temor antes de enfrentar a tão temida situação e podem até tentar evitá-la. Mesmo que sejam capazes de enfrentar seus medos, elas geralmente se sentem bastante ansiosas antes e sentem-se extremamente desconfortáveis durante o evento. Mesmo após a situação acabar elas ainda podem vivenciar sentimentos desagradáveis, pois elas ficam preocupadas com o julgamento dos outros ou sobre o que os outros podem ter pensado sobre elas.

 

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG):

É mais forte do que a ansiedade normal vivenciada no dia a dia pelas pessoas. É uma preocupação e tensão crônica e exacerbada, muitas vezes sem nenhuma causa aparente. Esse transtorno geralmente implica em se preocupar demasiadamente com a saúde, dinheiro, família, trabalho, criando, muitas vezes fantasias catastróficas sobre coisas que podem vir a acontecer de errado. Outras vezes, no entanto, é difícil identificar a fonte de tanta preocupação, e apenas pensar sobre o dia que está por vir pode provocar crises de ansiedade.

As pessoas com TAG tem muita dificuldade em relaxar, mesmo quando são capazes de perceber que suas preocupações são irracionais, sendo assim, é comum apresentar problemas para dormir. Eles tendem a se sentir cansados, ter problemas de concentração e, às vezes, depressão.

O TAG geralmente aparece gradualmente na infância ou na adolescência, mas também pode ter início na vida adulta. Ele é mais comum em mulheres do que em homens e muitas vezes manifesta-se em pessoas de uma mesma família. Ele é diagnosticado quando os sintomas permanecem por pelo menos 6 meses.

 

Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC):

É caracterizado por pensamentos recorrentes e invasivos (obsessões) e/ou comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões). A maioria das pessoas com TOC apresenta tanto a obsessão quanto a compulsão, mas uma minoria apresenta um ou outro.

Pensamentos obsessivos são ideias, imagens ou impulsos que entram na mente do indivíduo repentinamente de forma estereotipada. Eles são quase invariavelmente angustiantes e o paciente geralmente tenta, sem sucesso, resistir-lhes. Eles são frequentemente repugnantes (morte, sexualidade, contaminação e doença são os mais comuns). Exemplos de obsessão: medo de contaminação (medo de sujeira, germes ou doenças); necessidade de simetria; atos indesejados de agressão (impulso indesejado de machucar uma pessoa querida).

Atos ou comportamentos compulsivos são comportamentos estereotipados que se repetem muitas vezes. Eles não são em si agradáveis nem resultam na execução de tarefas inerentemente úteis. O indivíduo seguidamente os vê como prevenindo algum evento objetivamente improvável, envolvendo com assiduidade dano para o paciente ou por ele causado. Exemplos de compulsão: limpeza exagerada (da casa ou das mãos); checar várias vezes a mesma coisa (se apagou a luz, desligou o forno, trancou a porta); acumulação (não jogar fora nada); contagem (contar quantas vezes bateu na madeira).

A pessoa com TOC normalmente tenta ativamente diminuir ou neutralizar a ansiedade causada pela obsessão através de comportamentos compulsivos ou evitando situações que podem desencadeá-los, mas muitas pessoas com TOC acabam desistindo de tentar conter seus impulsos compulsivos pois concluem que é mais fácil se entregar a eles do que permanecer lutando.

 

Transtorno de Estresse Pós-traumático:

O Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) é um transtorno mental debilitante que pode ocorrer após a pessoa vivenciar ou testemunhar um evento extremamente traumático, trágico ou aterrorizante. Pessoas com TEPT geralmente apresentam pensamentos e memórias assustadoras persistentes e tendem a se sentir emocionalmente entorpecidas, especialmente com pessoas próximas.

O TEPT foi descoberto por causa dos veteranos de guerra, mas ele pode ser o resultado de diversos tipos de incidentes traumáticos como sequestros, acidentes de carro ou trem, desastres naturais e ataques violentos (como assaltos, estupros, tortura). O evento que provoca o TEPT pode ser algo que aconteceu com a pessoa ou alguém próximo a ela. Ou pode ser algo que ela testemunhou, como a destruição em massa após a queda de um avião.

A maioria das pessoas com estresse pós-traumático revive repetidamente o trauma em forma de pesadelos ou lembranças perturbadoras durante o dia que podem ir e vir (a pessoa se vê livre deles por algumas semanas, e de repente volta a vivenciá-los sem motivo algum). Elas também podem experienciar depressão, problemas de sono, sensação de entorpecimento, ou ser facilmente assustada. Elas podem perder o interesse em coisas que gostava antes e ter dificuldade em demonstrar carinho. Podem se sentir irritadas, mais agressivas do que antes e até violentas. Ver coisas que as remetem ao incidente também pode ser angustiante, o que pode fazer com que elas queiram evitar determinados lugares ou situações que evoquem lembranças. Sendo assim, aniversários do evento podem ser especialmente difíceis.

O TEPT pode acontecer em qualquer idade, inclusive na infância. O transtorno pode ser acompanhado de depressão, abuso de substâncias e ansiedade. Os sintomas podem ser leves ou severos, mas num geral, os sintomas tendem a ser piores se o evento foi iniciado por uma pessoa (como um assassinato), do que eventos da natureza (como um terremoto).

O transtorno pode ser tratado, geralmente com uma combinação de psicoterapia com medicamentos (para alívio de sintomas específicos, assim como para possíveis sentimentos depressivos que podem acompanhar o caso).

 

Transtornos de Ansiedade: diagnóstico e tratamento

Assim como outras formas de problemas psíquicos, podemos afirmar que os transtornos de ansiedade não são uma forma de fraqueza pessoal. De acordo com estudos recentes, eles são causados por uma combinação de diversos fatores como mudanças no funcionamento dos circuitos cerebrais responsáveis pela regulação do medo e a exposição a ambientes estressantes.

Na maioria das vezes os pacientes buscam ajuda de um médico acreditando que possuem problemas físicos (já que os sintomas físicos são extremamente fortes e podem ser confundidos com infartos, por exemplo).

O diagnóstico é feito baseando-se na intensidade e duração dos sintomas e nas observações que o médico faz sobre o comportamento do paciente.

Transtornos de Ansiedade podem ser tratados com muita eficiência de forma que você aprenda a controlar a ansiedade para que ela não controle você. O sucesso do tratamento varia de pessoa para pessoa. Algumas respondem apenas algumas semanas após o início, enquanto outros podem precisar de mais de um ano para começar a sentir algum efeito. Esse é um dos motivos pelo qual o tratamento deve ser customizado para cada caso. Além disso, o tratamento vai depender de qual tipo de transtorno o paciente apresenta e a severidade deste.

Para sintomas leves o profissional de saúde pode sugerir mudanças no estilo de vida, como fazer exercícios físicos regularmente e reduzir os níveis de estresse. Já para os sintomas moderados a severos o tratamento pode ser uma combinação dos seguintes tipos:

  • Terapias de Relaxamento – meditação, yoga, etc.;

  • Medicação: antidepressivos e ansiolíticos para diminuir os sintomas de ansiedade; e

  • Psicoterapia: pode ser uma aliada importante na busca de formas de lidar com os sintomas e encontrar as raízes da ansiedade. Somente através de uma mudança interna e permanente na forma de estar no mundo vai possibilitar

Alguns vídeos sobre o tema da ansiedade.

fdbipolar00

Clique na imagem acima para ler nossos textos sobre o tema.

Infográficos

infográfico ansiedade

o-ANSIEDADE-900

Compartilhar:

invisible tags

diagnósticos, ansiedade, infográfico