Diagnóstico: Transtorno por uso de Álcool

Diagnóstico: Transtorno por uso de Álcool 2018-04-15T16:53:08+00:00

A dependência e o abuso de álcool estão inclusos dentro do diagnóstico de Transtorno por uso de álcool, na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM 5), e é uma doença caracterizada por um padrão de ingestão de álcool excessivo, apesar dos efeitos negativos que a bebida traz para a vida do indivíduo.

O transtorno por uso de álcool é organizado em três categorias: leve, moderado e severo. Cada categoria tem diversos sintomas e pode causar efeitos colaterais danosos. Caso a pessoa permaneça sem tratamento, qualquer um dos tipos de abuso de álcool pode entrar num ciclo vicioso fora de controle.

Indivíduos lutando com o alcoolismo frequentemente sentem que não são capazes de funcionar normalmente sem o álcool. Isso pode levar a uma série de problemas e impactar metas profissionais, assuntos pessoais, relacionamentos e a saúde em geral. Com o tempo, os efeitos colaterais de extrema seriedade consistentes com o abuso de álcool podem piorar e produzir complicações extremamente prejudiciais para a vida da pessoa.

 

O que é abuso de álcool?

Como dito anteriormente, o abuso de álcool faz parte do Transtorno por uso de álcool e está dentro do espectro mais leve desse diagnóstico. É uma doença caracterizada por um padrão mal adaptativo de ingestão de álcool que resulta em efeitos negativos para a vida de uma pessoa. O indivíduo que abusa dessa substância tende a continuar o uso desta independentemente dessas consequências. No abuso de álcool, no entanto, não existe dependência física da bebida.

 

O que é dependência de álcool?

Alcoolismo, ou dependência de álcool, faz parte do espectro mais severo do Transtorno por uso de álcool. É um padrão destrutivo de ingestão de álcool que inclui tolerância (ter que beber cada vez mais para conseguir ficar intoxicado) e abstinência (sintomas físicos e mentais desagradáveis e até perigosos gerados pela ausência da substância no corpo), ter que beber cada vez mais ou por mais tempo do que o planejado, e dificuldade em reduzir o uso da bebida para poder consumi-la com mais moderação. Outros sintomas incluem gastar grande quantidade de tempo bebendo ou tentando conseguir ter acesso à bebida e continuar bebendo apesar dos problemas acarretados na vida pessoal do indivíduo.

O alcoolismo é a terceira doença mental mais comum e afeta em torno de 4% das mulheres e 10% dos homens nos Estados Unidos.

 

Causas

A dependência ao álcool se desenvolve quando o indivíduo bebe tanto que ocorrem mudanças químicas no cérebro dele. Essas mudanças aumentam os sentimentos de prazer ao ingerir a bebida alcoólica, o que faz com que haja o desejo de beber cada vez mais, mesmo que isso cause danos a vida da pessoa. Eventualmente, assim como no abuso de qualquer outra droga, os sentimentos de prazer associados a esta vão diminuindo e o indivíduo começa a beber para evitar os sintomas da síndrome de abstinência.

O alcoolismo tipicamente desenvolve-se gradualmente ao longo do tempo, e diversos fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais podem influenciar a maneira como o álcool irá afetar o corpo e o comportamento da pessoa. Apesar das causas do alcoolismo ainda serem desconhecidas, sabe-se que existem alguns fatores de risco, como:

  • Beber grandes quantidades constantemente;

  • Idade (quanto mais nova a pessoa é quando começa a beber – especialmente de maneira exagerada – maior o risco de desenvolver alcoolismo);

  • Histórico familiar de alcoolismo;

  • Depressão ou outros problemas mentais;

  • Fatores culturais e sociais que possam influenciar e incentivar o consumo excessivo de álcool.

 

Sinais e sintomas

O transtorno por uso de álcool pode ser leve, moderado e severo, dependendo da quantidade de sintomas vivenciados pela pessoa.  Alguns sinais e sintomas podem ser:

  • Dificuldade de limitar a quantidade bebida de álcool, mesmo que haja o desejo explícito de parar ou diminuir (o que pode acarretar em repetidas tentativas frustradas de parar);

  • Gastar muito tempo bebendo, procurando algo para beber, ou se recuperando de uma bebedeira;

  • Ânsia ou desejo extremamente forte pela bebida;

  • Falhas consecutivas em cumprir com obrigações importantes no trabalho, escola ou em casa, devido ao uso de álcool;

  • Continuar bebendo mesmo sabendo que isso está acarretando em problemas físicos, sociais ou interpessoais;

  • Desinteresse em participar em eventos sociais, de trabalho ou em hobbies;

  • Consumir álcool mesmo em situações de perigo, como dirigindo.

  • Desenvolvimento de tolerância ao álcool, implicando na necessidade de beber mais para poder sentir a mesma sensação que tinha anteriormente.

  • Desenvolvimento de sintomas de abstinência na ausência da substância, ou beber para evitar esses sintomas.

O transtorno por uso de álcool pode incluir períodos de intoxicação e síndrome de abstinência:

  • Intoxicação por álcool resulta do aumento de álcool na corrente sanguínea. Quanto maior a concentração de álcool, mais debilitada a pessoa fica, causando problemas de comportamento e alterações mentais como comportamentos inapropriados, alterações de humor, julgamento prejudicado, fala arrastada, dificuldades de concentração e memória, e falta de coordenação motora. Além disso, é possível haver períodos chamados de “blackouts” (ou apagões), no qual a pessoa não lembra dos eventos que aconteceram durante a embriaguez.

  • Abstinência ao álcool pode ocorrer quando o uso abusivo da substância é interrompido ou drasticamente reduzido. Os sintomas podem aparecer dentro de algumas horas e durar até quatro ou cinco dias. Os sintomas incluem sudorese, batimentos cardíacos acelerados, tremor nas mãos, problemas de sono, náusea e vômitos, alucinações, inquietação e agitação, ansiedade, e ocasionais convulsões. Os sintomas podem ser tão severos que podem prejudicar a capacidade do indivíduo de funcionar em situações sociais ou de trabalho.

 

Efeitos

O álcool é um depressivo do sistema nervoso central. Algumas pessoas apresentam uma reação inicial de estimulação, mas quando elas continuam a beber, acabam ficando sedadas. Em excesso, ele afeta a fala, coordenação motora e áreas vitais do cérebro e quantidades realmente grandes podem levar ao coma e até a morte.

O álcool também pode trazer sérios problemas para a saúde, como problemas digestivos, no fígado, coração, diabetes, disfunções sexuais, complicações neurológicas, enfraquecimento do sistema imunológico e maiores riscos de câncer de boca, garganta, fígado, cólon e mama. E no caso de mulheres grávidas, o uso de álcool durante a gravidez pode causar aborto, problemas físicos no bebê e a síndrome alcoólica fetal.

 

Tratamento

O tratamento para o transtorno do uso de álcool pode incluir:

  • Desintoxicação e abstinência: o tratamento pode começar com um programa de desintoxicação (abstinência gerenciada através de medicamentos), que geralmente leva de dois a sete dias.

  • Aconselhamento psicológico: aconselhamento e terapia individual ou em grupo ajudam as pessoas a compreender melhor o problema que elas têm com álcool e os aspectos psicológicos envolvidos no consumo de álcool, assim como ajuda na busca de alternativas mais saudáveis para lidar com as questões emocionais. Muitas vezes o apoio da família ou cônjuge é extremamente importante no processo de recuperação, por isso a terapia de casal e de família é uma ferramenta que pode trazer muitos benefícios. Além disso, a terapia também é importante no tratamento de outros problemas psicológicos (ansiedade, depressão, transtorno bipolar, entre outros) que podem ocorrer concomitantemente.

  • Tratamento medicamentoso: durante muitos anos a crença de que a cura do alcoolismo era questão de força de vontade impediu avanços nessa área, mas ainda assim, existem algumas drogas que ajudam no tratamento do alcoolismo. O disulfiram (Antabuse) tem como propósito ajudar a evitar que a pessoa beba, embora não cure o transtorno do uso de álcool ou remova a compulsão de beber. Ao beber álcool, a droga produz uma reação física que pode incluir rubor, náuseas, vômitos e dores de cabeça. Já a naltrexona (Revia), é uma droga que bloqueia os bons sentimentos causados pelo álcool, pode impedir o consumo intenso de álcool e reduzir o desejo de beber. E o acamprosato (Campral) ajuda a combater os desejos pelo álcool depois de parar de beber.

  • Suporte continuado: Programas de apoio (como os Alcoólicos Anônimos) ajudam as pessoas a se recuperar do transtorno por uso de álcool e a parar de beber, gerenciar recaídas e lidar com as mudanças de estilo de vida necessárias.

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