Diagnóstico: Esquizofrenia

Diagnóstico: Esquizofrenia 2018-05-16T22:00:49+00:00

A esquizofrenia é uma séria desestruturação psíquica que interfere na capacidade de uma pessoa pensar de forma clara, gerenciar emoções, tomar decisões e se relacionar com outras pessoas. Uma pessoa com esquizofrenia pode ter dificuldade de distinguir entre o que é real ou imaginário e pode ter dificuldade de se expressar e lidar com situações sociais. É uma doença médica complexa e de longo prazo, que afeta cerca de 1% da população. Os sintomas podem incluir delírios, alucinações, problemas de pensamento e concentração e falta de motivação. No entanto, quando esses sintomas são tratados, a maioria das pessoas com esquizofrenia melhorará ao longo do tempo.

Embora a esquizofrenia possa ocorrer em qualquer idade, a idade média de início tende a ser no final da adolescência até o início dos 20 anos para os homens, e no final dos 20 anos até o início dos 30 para as mulheres. É incomum que a esquizofrenia seja diagnosticada em uma pessoa com menos de 12 anos ou mais de 40.

Ao contrário da percepção pública, a grande maioria das pessoas com esquizofrenia não é violenta e não representa um perigo para os outros. Além disso, a esquizofrenia não é causada por experiências de infância, criação ruim ou falta de força de vontade, nem os sintomas são idênticos para cada pessoa.

 

Primeiros sinais

Os primeiros sinais de esquizofrenia podem ser diferentes para todos. Os sintomas podem se desenvolver devagar ao longo de meses ou anos, ou podem parecer muito abruptamente. Além disso, a doença pode ir e vir em ciclos de recaída e remissão. Os comportamentos que são sinais de alerta precoce de esquizofrenia incluem:

  • Ouvir ou ver algo que não está lá

  • Um sentimento constante de estar sendo observado

  • Uma maneira peculiar ou estranha de falar ou escrever

  • Postura corporal estranha

  • Sentir-se indiferente a situações muito importantes

  • Deterioração do desempenho acadêmico ou do trabalho

  • Uma mudança na higiene pessoal e aparência

  • Uma mudança na personalidade

  • Fugir cada vez mais das situações sociais

  • Tratamento irracional, irritadiço ou ameaçador em relação aos entes queridos

  • Incapacidade de dormir ou concentrar-se

  • Comportamento inapropriado ou estranho

  • Extrema preocupação com a religião ou o oculto

Qualquer pessoa que experimente vários destes sintomas por mais de duas semanas deve procurar ajuda imediatamente.

 

Sintomas

Para que seja realizado o diagnóstico dois (ou mais) dos sintomas a seguir devem estar presentes por uma quantidade significativa de tempo durante um período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso), sendo que pelo menos um deles devem ser os sintomas (1), (2) ou (3); seguidos por pelo menos mais cinco meses que tenham sinais da perturbação (podendo ser manifestada apenas por sintomas negativos):

(1) Delírios: crenças fixas, não passíveis de mudança à luz de evidências conflitantes. Podem ser persecutórios (a pessoa acredita que está sendo perseguida por alguém); de referência (gestos, comentários, estímulos ambientais, são direcionados à própria pessoa); de grandeza (a pessoa crê que tem habilidades excepcionais); erotomaníacos (o indivíduo crê que outra pessoa está apaixonada por ele); niilistas (convicção de que ocorrerá uma grande catástrofe); e somáticos (preocupações referentes à saúde).

(2) Alucinações: experiências semelhantes à percepção que ocorrem sem um estímulo externo. São vívidas e claras, com toda a força e o impacto das percepções normais, não estando sob controle voluntário. Podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial, embora as alucinações auditivas sejam as mais comuns e manifestam-se como vozes, familiares ou não, percebidas como diferentes dos próprios pensamentos do indivíduo.

(3) Desorganização do Pensamento: costuma ser inferida a partir do discurso do indivíduo, que pode mudar de um tópico a outro repentinamente. Uma vez que o discurso levemente desorganizado é comum e inespecífico, o sintoma deve ser suficientemente grave a ponto de prejudicar de forma substancial a comunicação efetiva.

(4) Comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal: pode se manifestar de várias formas, desde o comportamento “tolo e pueril” até a agitação imprevisível. Os problemas podem ser observados em qualquer forma de comportamento dirigido a um objetivo, levando a dificuldades na realização das atividades cotidianas. Outras características incluem movimentos estereotipados repetidos, olhar fixo, caretas, mutismo e eco da fala.

(4) Sintomas Negativos: Dois sintomas negativos são especialmente proeminentes na esquizofrenia: expressão emocional diminuída (reduções na expressão de emoções pelo rosto, no contato visual, na entonação da fala) e avolia (redução em atividades motivadas, autoiniciadas e com uma finalidade). Outros sintomas incluem produção diminuída do discurso, capacidade reduzida de ter prazer resultante de estímulos positivos e falta de sociabilidade.

 

Causas

Os pesquisadores acreditam que uma série de fatores genéticos e ambientais podem causar a esquizofrenia, e os estresses da vida podem desempenhar um papel importante no início e no curso da doença. Uma vez que vários fatores podem contribuir, os cientistas ainda não podem especificar qual é a causa exata dessa doença. Algumas delas são:

Genéticas: A esquizofrenia não é causada por apenas uma variação genética específica, mas uma interação complexa entre genes e influências ambientais. Pesquisas revelam que a genética é responsável por aproximadamente 50% da chance de adoecer, cabendo o restante a fatores ambientais. Enquanto a esquizofrenia ocorre em 1% da população em geral, ter uma história de psicose familiar aumenta consideravelmente o risco. A esquizofrenia ocorre em cerca de 10% das pessoas que têm um parente de primeiro grau com o transtorno, como um pai ou irmão. O maior risco ocorre quando um gêmeo idêntico é diagnosticado com esquizofrenia. O gêmeo não afetado tem aproximadamente 50% de chance de desenvolver o transtorno.

Meio Ambiente: Pesquisas demonstram que a exposição a vírus ou desnutrição antes do nascimento, particularmente no primeiro e segundo trimestres, pode aumentar o risco de esquizofrenia, uma vez que nesse período o cérebro está em rápido desenvolvimento e qualquer alteração no ambiente pode interferir nos processos naturais deste. Outras pesquisas também demonstram que a esquizofrenia é muito mais comum em grandes centros urbanos.

Química cerebral: Os cientistas acreditam que um desequilíbrio nas reações químicas complexas e inter-relacionadas do cérebro que envolvem os neurotransmissores dopamina e glutamato, e possivelmente outros, desempenham um papel na esquizofrenia. O cérebro também sofre grandes mudanças durante a puberdade, e essas mudanças podem desencadear sintomas psicóticos em pessoas vulneráveis devido a genética ou diferenças cerebrais.

Uso de substâncias: Um crescente número de evidências indica que no caso de pessoas que possuem um determinado gene relacionados à doença, fumar maconha pode aumentar até 5 vezes mais o risco de desenvolver esquizofrenia (principalmente se o uso acontecer por volta dos 15 anos de idade). Quanto mais jovem e mais frequente o uso, maior o risco.

 

Tipos

A esquizofrenia pode ser dividida em seis tipos que se diferenciam por seus sintomas: simples, paranoide, desorganizada, catatônica, indiferenciada e residual.

esquizofrenia simples tem como sintomas principais o isolamento social do paciente, ausência de relações afetivas e mudança de personalidade. Os sintomas negativos são predominantes sem que haja sintomas positivos e de desorganização. Além disso, não há uma diferença clara entre a fase aguda e a crônica.

esquizofrenia paranoide é um dos tipos mais comuns. Caracterizada pela predominância de delírios e alucinações, ela causa ansiedade, maior propensão a ataques de fúria e sensação constante de perseguição por parte do paciente, incluindo familiares e amigos próximos. Discurso e emoções podem permanecer inalterados. Além disso, esse tipo pode se desenvolver em idades mais avançadas, se comparado com os outros tipos de esquizofrenia.

esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada tem um predomínio dos sintomas negativos e de desorganização do pensamento e do comportamento sobre os sintomas positivos. Caracterizada por uma tendência a comportamento infantil e desorganizado (sem propósito), perda de autonomia, apatia, afetividade infantil, dificuldade de organização do pensamento e isolamento. Pode ser difícil compreender o discurso de uma pessoa com esse tipo de esquizofrenia. Normalmente desenvolve-se entre os 15-25 anos.

esquizofrenia catatônica é o tipo mais raro. Tem como sintoma principal a catatonia que, pode alternar entre momentos de postura e musculatura tensa e rígida para momentos com movimentos exagerados e sem função (expressão facial fora do normal, caretas e tiques). Além disso, há um quadro de apatia e a pessoa pode quase não falar, comer ou beber.

esquizofrenia indiferenciada é a forma de esquizofrenia que não apresenta características particulares, ou seja, pode ter sinais de todos os tipos de esquizofrenia citados acima.

Por fim, a esquizofrenia residual é aquela na qual o paciente tem um histórico de psicose, mas apresenta apenas sintomas negativos. Ou seja, são quadros mais crônicos que evoluíram para um quadro mais deteriorado, geralmente caracterizado por sintomas negativos, como perda de autonomia, lentidão psicomotora, falta de autocuidado e de higiene pessoal, além de prejuízos sociais.

 

Tratamento

Não existe cura para a esquizofrenia, mas o tratamento pode ajudar as pessoas com essa doença a levar vidas altamente produtivas e gratificantes. Tal como acontece com outras doenças crônicas, alguns pacientes melhoram bastante enquanto outros continuam sendo sintomáticos e precisam de apoio e assistência.

Os medicamentos são frequentemente utilizados para ajudar a controlar os sintomas da esquizofrenia. Eles ajudam a reduzir os desequilíbrios bioquímicos que causam a esquizofrenia e diminuem a probabilidade de recaída. Como todos os medicamentos, no entanto, medicamentos antipsicóticos devem ser tomados apenas sob a supervisão de um profissional de saúde mental.

Os antipsicóticos típicos (como a Clorpromazina e o Haloperidol) controlam efetivamente os sintomas “positivos”, como alucinações, delírios e confusão da esquizofrenia.  Já os antipsicóticos atípicos (como a Olanzapina e a Risperidona) tratam os sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, além de serem menos propensos a causar alguns dos efeitos colaterais graves associados aos antipsicóticos típicos como discinesia tardia (movimentos involuntários, como fazer caretas e trejeitos ou piscar seguidamente, conhecidos também como “tiques”), distonia (espasmos musculares) e tremores.

Uma terceira categoria menor de drogas usadas para tratar a esquizofrenia é conhecida como “agentes antipsicóticos diversos” (como a Loxapina) e são usados para tratar a agitação em pessoas com esquizofrenia.

Os efeitos colaterais são comuns com drogas antipsicóticas. Eles variam de efeitos leves, como boca seca, visão turva, constipação, sonolência e tonturas, a efeitos colaterais mais graves, como problemas com controle muscular, ritmo, tremores e tiques faciais.

Depois que os sintomas da esquizofrenia são controlados, vários tipos de terapia podem continuar a ajudar as pessoas a gerenciar a doença e melhorar suas vidas. A terapia pode ajudar as pessoas a aprender habilidades sociais, lidar com o estresse, identificar sinais de alerta precoce de recidiva e prolongar períodos de remissão. Como a esquizofrenia tipicamente atinge no início da idade adulta, indivíduos com o transtorno geralmente se beneficiam da reabilitação para ajudar a desenvolver habilidades de gerenciamento de vida, completar treinamento vocacional ou educacional e realizar um trabalho.

Muitas pessoas que vivem com esquizofrenia recebem suporte emocional e material de sua família. Portanto, é importante que as famílias recebam educação, assistência e suporte. A terapia de família na esquizofrenia é um dos tratamentos complementares de maior eficácia, com repercussão direta no estado clínico do paciente, uma vez que demonstrou ajudar a prevenir recidivas, reduzir interações, e na melhoraria da saúde mental global dos membros da família, bem como da pessoa com esquizofrenia, sendo assim, a terapia familiar pode ser de grande contribuição no tratamento da doença.

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